João Blota tornou pública sua história no livro “ Noia-o poder tentador das nossas fraquezas”, publicado pela Editora 300. João se tornou publicitário em São Paulo e transformou sua recuperação em missão. Ele realiza palestras que têm emocionado e conscientizado pais, alunos e professores. E man´tem no Facebook a página "Droga não vale a pena" https://www.facebook.com/droganaovaleapena/ Seu depoimento: “Usei drogas por 15 anos. Comecei aos nove, com cola; depois, maconha, cocaína e crack, drogas que experimentei com colegas de escola e de festas. No desespero, minha mãe, dona Dagmar, invadiu pontos de venda de drogas , deu tapas no rosto de traficantes gritando ‘Larga o meu filho! Para mim ele é único! Eu não vou desistir do meu filho!’ Ali, ela poderia ter morrido. Com a doença, dependência de drogas, eu aumentava a cada dia a quantidade de cada uma delas. No crack, cheguei a fumar 40 pedras por dia! Os dedos queimados latejavam cada vez que eu sentia o fogo do isqueiro queimar um pouco mais a pele. O medo era incontrolável dentro de mim. Eu me agachava e colocava qualquer pedacinho de pedra na boca pra sentir o amargo do crack e aí fumar mais um pedacinho, a sujeira tomava conta do meu corpo e da minha alma. Não conseguia dormir, não conseguia comer, fica o tempo todo escondido, tentando ouvir o barulho da morte que, na minha cabeça, me espreitava a cada segundo. Tudo o que a gente tem, vende. Até as coisas de casa. Perambula a noite inteira atrás da sensação da primeira pedra que fumou. Mas quando o dia nasce, a sensação é horrível! O desespero aumenta, aí faz qualquer coisa para se manter louco. Toma cachaça, fuma maconha, raspa o cachimbo com uma faca e fuma aquela raspa misturada com ferro e cinza, pega bituca no meio da rua e fuma até o filtro. Minha sorte é que minha mãe nunca desistiu de mim, da minha recuperação. Ela vendeu até o único bem da família, um pequeno imóvel, para pagar minhas internações. Fiz minha mãe chorar, perder noites de sono. Mas transformou essa dor numa força que se renovava a cada dia . Obrigado, mãe! A senhora comemora ao me ter de volta e eu transformei minha recuperação em missão. “
João Blota

João Blota

Publiciário